• Lara Rovere

Clichê de Natal

Ano passado, fui desafiada, em um curso de contos, a contar um Natal diferente. Nada de família feliz em volta da árvore cheia de enfeites e presentes ou da mesa farta, entre peru, presunto e uva-passa. Listamos palavras que deveriam ser evitadas, nos afastando - ou pelo menos tentando - da magia idealizada, da propaganda de coca-cola e, em alguns casos, de nossa própria história.


Confesso que pra mim foi difícil, pois lembro dessa data sempre com grande alegria. Lembro da família unida, sim. Dos tempos em que brincávamos pela sala e que preenchíamos os dias que antecedem o natal com ensaios de um coral desajeitado ou de uma peça normalmente orquestrada pela Manu. Lembro dos amigos secretos sempre com alguém disposto a acabar com o segredo antes da hora, do Fábio Júnior e do Sidney Magal quase roucos de tanto que tocam caixa de som. Fábio Junior, aliás, me faz lembrar daquela música que não pode faltar e dos pais que tanto nos fazem falta. Da Vovó Menininha, da tia Lu, da tia Eliane e do tio Manuel também. Dos lugares vazios na varanda e do coração cheio de saudade. Mas esse é um sentimento comum até nas famílias mais felizes e, por isso mesmo, não sei se renderia o conto. Talvez uma crônica ou um texto pra ler no Natal. Assim o faço e constato que somos sim felizes mesmo com nossas perdas, tristezas, deslizes.


Herdamos da vovó Rosa essa capacidade de superar e de nunquinha deixar de sonhar; os nossos sonhos e os sonhos dos nossos. É, parece que por aqui o dia 24 é sempre assim: um retrato fiel dos outros 364. Mesa cheia com os quitutes da Zuzu e todo mundo falando ao mesmo tempo e, ainda assim, se entendendo. A nova geração esperando o Papai Noel colocar o presente debaixo da cama e, entre os já crescidos, uns acreditando mais, outros menos, em Deus, mas todos nós unânimes quanto a força e a magia do amor. Do nosso amor. 

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