• Lara Rovere

Oi! Sou doida.

“Oi! Sou doida”

Foi assim, revelando toda a minha loucura, ou pelo menos parte dela, que me comuniquei pela primeira vez com uma escritora a quem admiro muito, a Socorro Acioli. Mandei a real na lata, por direct. Socorro emudeceu. Ficou com os dedos imóveis, aliás. Não sei se por não acolher a minha loucura ou se, porventura, também se encontrava em estado de pouca sanidade.


Meses depois, me matriculei em um curso ministrado por ela. Descendo as escadas da livraria ao fim de um dos dias de aula, tomei coragem de tocar nesse assunto que, de tão delicado, poderia me fazer despencar no conceito daquela que me era tão cara. “Do chão não passo”, pensei. Contei, então, sobre a mensagem. Na verdade, estava sim louca. Tão louca, imersa nessa rotina que faz  com que a gente fique sempre bradando e se gabando pela falta de tempo (tô na correria, dizemos todos), que escrevi para a Socorro enquanto dirigia ou fazia qualquer outra coisa que também me ocupava as mãos e a cabeça. Na pressa, sob a pressão das buzinas, apertei o botão “enviar” antes da hora.


Sei lá, acho agora que a mensagem suprimida talvez fizesse até mais sentido, mas o que queria mesmo dizer é: oi, Socorro! Te admiro e sou doida para fazer um curso contigo. Essa semana fiz o segundo, de crônicas. Ela repetiu a história e, mais uma vez, caímos no riso. Em outro momento da aula, disse: “tudo pode virar crônica”, o que me conduziu ao momento seguinte; este, estar aqui, às 07:55 da manhã, deitada no sofá, lembrando de um episódio engraçado e de uma sequência de aulas maravilhosas, que me fazem, apesar de reconhecer minha mediocridade diante de tantos textos e talentos, continuar a escrever.

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