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  • Lara Rovere

Uma carta para mim

Se eu pudesse escrever uma carta pra mim, acho que seria mais ou menos assim:


Lara, minha cara, ouça o conselho dos teus pais. Não tire tanto a sobrancelha (precisamos dela quando menos se espera) e leia mais. Teu sonho de ser escritora pode dar certo. E, se não der, tudo bem. Terás, pelo menos, as palavras sempre por perto. Terás personagens a quem recorrer e lugares para onde fugir quando realidade não convir.


Ah, e isso vai acontecer, pode esperar. Haverá duros golpes, decepções, frustrações... haverá dias bons, dias ruins e, até, bom e mau tempo dividindo o mesmo céu, sabe como é?


Aproveita cada segundo do teu pai! Ele vai embora cedo demais. Vai doer demais. Fazer falta demais. E sabe o que mais? Vai ter palavra repetida para fazer jus à ferida. Mas vai também ter força e lembrança que aviva os laços invisíveis do amor. Sabe a tua mãe? Larga de rancor! Vocês vão ficar cada vez mais próximas e - há quem diga: mais parecidas. 


Não te preocupes com o tamanho dos teus seios! Eles vão crescer e a insatisfação mais uma vez aparecer. Tu vais desejar que sejam pequenos de novo para só depois, ao amamentar, constatar que - ah, deixa pra lá... Vais entender, nesse momento, que teu é corpo é alimento, morada, alento.


Sobre os conselhos, aqui vai o mais valioso: não ouça tudo e a todos! Não vai trabalhar demais! Cuidado com todo excesso, aliás. 


Cuida de aprender a dizer não e de cuidar também um pouco de si. A partir dos 30, que vem chegando por aí, não sei mais o que dizer, pois, mais uma vez, irá se deparar com uma página em branco para escrever. 


Mas saiba que o temor de todo escritor é, na  verdade, aval de liberdade. Um palco onde sílabas e vogais se abraçam, rodopiam, preenchendo o vazio... com aquilo do qual tua alma transborda. De dentro pra fora, de fora pra dentro, represa de sentimento. 

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